O dia tinha corrido normalmente como sempre para Laura e Justino.
Ele tinha ido trabalhar, mais alegre que antes, uma mudança que não passou despercebida a chefes e colegas. Justino era um homem novo.
Laura tinha dormido até tarde e agora estava a preparar-se para ir trabalhar mais uma noite como todas as outras…
Quando chegaram ao Moonlight, o gerente disse a Laura que tinha um ramo de flores no camarim de mais algum fã.
Chegados ao camarim, o casal depara-se com um enorme ramo de orquídeas (as flores favoritas de Laura) e um cartão com uma letra muito cuidada dizendo:
“Não existe nada mais belo que tu, nada mais perfeito e sublime! Tenho pena destas flores que se vão sentir tão feias e tristes na tua presença. Mesmo assim, mando-tas sabendo que são as tuas favoritas. Pode ser que um dia tas dê pessoalmente. Mandar-te-ei flores todos os dias e cada vez maiores até ao dia que as darei em mãos. Até lá minha querida.
Atenciosamente,
Um fã dedicado”
- Que simpático! Escreve muito bem… – Disse Laura sorridente enquanto metia as flores numa jarra já pensada para o efeito.
Justino não conseguia partilhar da alegria dela. Não era ciumento. Sabia bem que Laura tinha inúmeros fãs, como ele ainda o é, que lhe mandavam sempre prendas e flores mas aquele era diferente. Algo na frase “Pode ser que um dia tas dê pessoalmente” não soava bem… Mas não disse nada a Laura. Não quis parecer um namorado possessivo e por isso sorriu também.
Passaram-se dois meses e todos os dias chegavam mais ramos e mais declarações. Cada ramo maior que o anterior e cada declaração mais atrevida e mais pessoal. A última fez Laura estremecer.
“Vejo-te cantar todas as noites neste bar imundo. Olhas para mim e sei que queres estar comigo. Sonho que és minha e só minha. Um dia serás mesmo! Não te iludas! Esse teu namorado não te faz jus. Só eu sei como tratar tamanha beleza como a tua. Esses teus olhos de esmeralda e cabelo de fogo vão me pertencer um dia. Espero apenas o dia certo.
Atenciosamente,
O teu fã mais sincero”
Laura entregou aquele bilhete a Justino que foi imediatamente ter com o gerente furioso.
- Não quero mais que aceitem estas flores! Quando voltarem a ver este homem quero que chamem a polícia! Ele não deve chegar-se ao pé de Laura ou ela nunca mais mete cá os pés! Estou a falar a sério S. Gonçalo! Quero ver como este cafezito rasca se aguenta sem a sua estrela principal!
Justino estava genuinamente preocupado. Nunca gostara daqueles recados… Mas nunca tivera coragem de dizer a Laura. Agora teme que, pelo seu receio de falar com Laura, a sua vida tivesse em perigo.
Os cartões pareciam vindos de um homem doentio. Queria Laura só para ele. Justino morria de medo do que o tal “fã sincero” seria capaz de fazer para cumprir as suas promessas. Foram cumpridas até agora… Tinha a certeza que o homem iria tentar cumprir aquela também. Não havia tempo a perder. Laura tinha que ser protegida.
Nessa noite Laura não actuou, para descontentamento de toda a gente incluindo o gerente do bar. As receitas nessa noite caíram a pique. Tudo por causa de uns cartões. Namorado estúpido e nervosinho que Laura arranjou. Tinha que se ver livre dele rapidamente ou perdia o bar que tanto trabalho lhe deu a erguer do nada. Ainda teve a lata de o chamar “cafezito rasca”! Ordinário! O melhor bar da cidade! Como se atrevia ele?
E foram com estas palavras no pensamento que o Gonçalo se foi deitar naquela noite, nunca pensado que Justino estava certo… Apenas ciumento.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
sábado, 24 de janeiro de 2009
Tudo é Possivel (3º cap -Afonso – Nascimento de um homem revoltado)
Corria o ano de 1968, Julieta de Andrade, filha mais nova de uma das famílias mais ricas da cidade, dava prestes a dar à luz a um rapaz. Estava muito feliz. Ia ser um filho lindo. Sairia com a sua beleza de certeza. Aqueles olhos verdes rasgados, cabelo ruivo aos caracóis… Ou então sairia lindo como o pai. Pele escura, olhos e cabelo castanho-escuro. Um casal tão bem parecido tinha que ter um filho lindo. Chamar-se-ia Afonso, como o seu pai falecido há uns meses atrás. Como ele iria ficar feliz com aquele neto…
O parto foi rápido e sem complicações por isso Julieta não entendia porque não lhe deram o filho logo que este nasceu… Não o ouvia a chorar. Algo estava errado. Eduardo larga a sua mão e vai a correr ver o seu filho. Uns minutos depois ouve-se um choro desesperado de uma criança a querer respirar. Afonso estava vivo. Que susto…
- Porque não me trazem o meu filho? Quero vê-lo! – Gritou Julieta para o ar mas ninguém lhe responde. Entra em pânico. Algo se passa com o seu filho. O seu menino perfeito. Chama pelo seu marido, mas ele nem a ouve, está pálido a olhar para Afonso. O medo instala-se na sua mente. Não sabe o que pensar… Nisto Eduardo entra na sala de partos com um ar completamente desanimado.
- O nosso filho é cego do olho esquerdo… E a mão esquerda dele não está completamente desenvolvida… Não se formaram os dedos… Lamento muito querida.
Julieta não queria acreditar. O seu menino perfeito… Não era perfeito. Que mal teria feito ela para merecer um castigo daqueles? Era muito pedir um menino com 10 dedos das mãos e 10 dedos dos pés? Um menino que visse e ouvisse bem? Um filho cego de um olho? E sem uma mão? Não pode ser verdade! Tinha que vê-lo com os seus próprios olhos!
Com consentimento da médica, Eduardo foi buscar Afonso para que Julieta o pudesse ver com os seus próprios olhos. Ela olha para os braços do marido onde jazia um pano branco envolvendo um corpo minúsculo que se mexia de vez em quando soltando os sons normais de recém-nascidos. Com todas as suas forças, Julieta fechou os olhos e desejou destapar o seu filho e que tudo desaparecesse como se por artes mágicas. Como se tivesse sido apenas uma ilusão… Um pesadelo horrível. Desejou acordar e o seu filho ainda na sua barriga a dormir descansado.
Eduardo chega perto de Julieta com lágrimas nos olhos, fazendo luto. Como se, o filho que estivesse nos seus braços estivesse efectivamente morto e não com algumas deficiências como era a realidade…
Julieta tirou o pano que tapava o seu filho a medo. Não sabia o que ia encontrar… E o que encontrou iria assombra-la para todo o sempre. Soltou um triste gemido ao olhar para a cara do bebé. Em vez de um olho saudável e castanho como o outro, o olho esquerdo de Afonso estava completamente branco e sem vida, como se alguém o tivesse pintado. Era surreal… Mas o que realmente a deixou agoniada era a mão do infante. Em vez de 5 dedos saudáveis tinha um coto disforme de carne vermelha, mole e enrugada. Uma visão tão hedionda que a fez quase deixá-lo cair sem intenção à medida que deu um grito de horror.
- Não… Não pode ser! Não há nada que se possa fazer? Ele não pode ficar assim! Será uma desgraça!
Os anos foram passando e passando e a vida do jovem Afonso era tudo menos normal.
Sua mãe não permitiu que ele frequentasse a escola porque não ia aguentar que as pessoas soubessem do estado do seu filho. Foi educado em casa, professores privados com um acordo muito rigoroso de nunca falarem de Afonso, assim como os empregados da casa. Era como se Afonso nunca tivesse existido.
O parto foi rápido e sem complicações por isso Julieta não entendia porque não lhe deram o filho logo que este nasceu… Não o ouvia a chorar. Algo estava errado. Eduardo larga a sua mão e vai a correr ver o seu filho. Uns minutos depois ouve-se um choro desesperado de uma criança a querer respirar. Afonso estava vivo. Que susto…
- Porque não me trazem o meu filho? Quero vê-lo! – Gritou Julieta para o ar mas ninguém lhe responde. Entra em pânico. Algo se passa com o seu filho. O seu menino perfeito. Chama pelo seu marido, mas ele nem a ouve, está pálido a olhar para Afonso. O medo instala-se na sua mente. Não sabe o que pensar… Nisto Eduardo entra na sala de partos com um ar completamente desanimado.
- O nosso filho é cego do olho esquerdo… E a mão esquerda dele não está completamente desenvolvida… Não se formaram os dedos… Lamento muito querida.
Julieta não queria acreditar. O seu menino perfeito… Não era perfeito. Que mal teria feito ela para merecer um castigo daqueles? Era muito pedir um menino com 10 dedos das mãos e 10 dedos dos pés? Um menino que visse e ouvisse bem? Um filho cego de um olho? E sem uma mão? Não pode ser verdade! Tinha que vê-lo com os seus próprios olhos!
Com consentimento da médica, Eduardo foi buscar Afonso para que Julieta o pudesse ver com os seus próprios olhos. Ela olha para os braços do marido onde jazia um pano branco envolvendo um corpo minúsculo que se mexia de vez em quando soltando os sons normais de recém-nascidos. Com todas as suas forças, Julieta fechou os olhos e desejou destapar o seu filho e que tudo desaparecesse como se por artes mágicas. Como se tivesse sido apenas uma ilusão… Um pesadelo horrível. Desejou acordar e o seu filho ainda na sua barriga a dormir descansado.
Eduardo chega perto de Julieta com lágrimas nos olhos, fazendo luto. Como se, o filho que estivesse nos seus braços estivesse efectivamente morto e não com algumas deficiências como era a realidade…
Julieta tirou o pano que tapava o seu filho a medo. Não sabia o que ia encontrar… E o que encontrou iria assombra-la para todo o sempre. Soltou um triste gemido ao olhar para a cara do bebé. Em vez de um olho saudável e castanho como o outro, o olho esquerdo de Afonso estava completamente branco e sem vida, como se alguém o tivesse pintado. Era surreal… Mas o que realmente a deixou agoniada era a mão do infante. Em vez de 5 dedos saudáveis tinha um coto disforme de carne vermelha, mole e enrugada. Uma visão tão hedionda que a fez quase deixá-lo cair sem intenção à medida que deu um grito de horror.
- Não… Não pode ser! Não há nada que se possa fazer? Ele não pode ficar assim! Será uma desgraça!
Os anos foram passando e passando e a vida do jovem Afonso era tudo menos normal.
Sua mãe não permitiu que ele frequentasse a escola porque não ia aguentar que as pessoas soubessem do estado do seu filho. Foi educado em casa, professores privados com um acordo muito rigoroso de nunca falarem de Afonso, assim como os empregados da casa. Era como se Afonso nunca tivesse existido.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Tudo é Possivel (2º cap - Um amor desabrocha forte )
Depois daquela primeira noite de amor, Laura e Justino acordaram bem cedo. Olharam um para o outro e sorriram.
Como se amavam naquele momento!
Olhavam um para o outro e tiveram a certeza, naquele instante, que nunca mais se separariam, que ficariam sempre juntos e isso fê-los sentir bem por dentro.
Justino levantou-se e disse a Laura para se deixar ficar deitada na cama à espera dele. Meia hora depois o cheiro que vinha da cozinha era divinal. O cheiro a café fresco, torradas, ovos estrelados, faziam Laura salivar mas não saiu da cama. Justino pediu que esperasse e assim ela fez.
Alguns minutos depois chega Justino ao quarto. Laura olhou para ele e pensou no quanto era feliz naquele momento. O homem que amava em cuecas trazendo o pequeno-almoço à cama. Quantas se podem gabar do mesmo? Era mesmo uma rapariga de sorte. Muita sorte.
- Desculpa a apresentação. Estive algum tempo à procura das coisas. Mas lá consegui. – Disse com um sorriso malandro.
- Está maravilhoso! Obrigada! – Deu uma garfada no ovo e… - Hummm mas que delicia. Vindo das tuas mãos até sabe melhor meu amor. Está delicioso!
Pouco depois o telefone toca e Laura vai atender.
- Tenho mais uma actuação esta noite. Vais comigo não vais?
- Claro que vou amor.
Nessa noite, Laura cantou mais e melhor que nunca. As mulheres ficavam com lágrimas nos olhos, os homens sonhavam com ela (como ele fazia há algum tempo atrás). Custa a crer que, há tão pouco tempo, era ele que sonhava como seria ser amado por ela. Agora é. E não cabe em si de contentamento. Ela foi, é e será o melhor que lhe aconteceu na vida.
Pela primeira vez em muito tempo, Justino estava realmente feliz!
Vinte minutos mais tarde já estavam a sair do apartamento de Laura de mãos dadas como sempre mas algo estava diferente entre eles, notava-se a léguas. Agora eram como um só. Uma alma dividida em dois corpos.
A uns escassos metros de onde se encontravam agora, estava um homem sombrio a olhar para eles fixamente. Esse homem, como iam mais tarde descobrir, estava obcecado por Laura e seguia-a para todo o lado mas, ao contrário de Justino, ele não a queria amar, queria-a possuir, escondê-la do mundo. Tê-la só para si e vê-la ali com aquele homem patético deixava-o louco de raiva. Tinha que o afastar de Laura a todo o custo.
Laura e Justino caminhavam lado a lado… Sorrindo com cumplicidade, alheios ao olhar gélido daquele homem com coração de pedra, incapaz de amar. Afonso era um homem amargo… Doente… Consumido pela sua raiva. Laura era linda demais para estar solta. A sua beleza era perigosa. Tinha que ser guardada para que mais ninguém a contemplasse… E era isso que ia fazer… Escondê-la…
Como se amavam naquele momento!
Olhavam um para o outro e tiveram a certeza, naquele instante, que nunca mais se separariam, que ficariam sempre juntos e isso fê-los sentir bem por dentro.
Justino levantou-se e disse a Laura para se deixar ficar deitada na cama à espera dele. Meia hora depois o cheiro que vinha da cozinha era divinal. O cheiro a café fresco, torradas, ovos estrelados, faziam Laura salivar mas não saiu da cama. Justino pediu que esperasse e assim ela fez.
Alguns minutos depois chega Justino ao quarto. Laura olhou para ele e pensou no quanto era feliz naquele momento. O homem que amava em cuecas trazendo o pequeno-almoço à cama. Quantas se podem gabar do mesmo? Era mesmo uma rapariga de sorte. Muita sorte.
- Desculpa a apresentação. Estive algum tempo à procura das coisas. Mas lá consegui. – Disse com um sorriso malandro.
- Está maravilhoso! Obrigada! – Deu uma garfada no ovo e… - Hummm mas que delicia. Vindo das tuas mãos até sabe melhor meu amor. Está delicioso!
Pouco depois o telefone toca e Laura vai atender.
- Tenho mais uma actuação esta noite. Vais comigo não vais?
- Claro que vou amor.
Nessa noite, Laura cantou mais e melhor que nunca. As mulheres ficavam com lágrimas nos olhos, os homens sonhavam com ela (como ele fazia há algum tempo atrás). Custa a crer que, há tão pouco tempo, era ele que sonhava como seria ser amado por ela. Agora é. E não cabe em si de contentamento. Ela foi, é e será o melhor que lhe aconteceu na vida.
Pela primeira vez em muito tempo, Justino estava realmente feliz!
Vinte minutos mais tarde já estavam a sair do apartamento de Laura de mãos dadas como sempre mas algo estava diferente entre eles, notava-se a léguas. Agora eram como um só. Uma alma dividida em dois corpos.
A uns escassos metros de onde se encontravam agora, estava um homem sombrio a olhar para eles fixamente. Esse homem, como iam mais tarde descobrir, estava obcecado por Laura e seguia-a para todo o lado mas, ao contrário de Justino, ele não a queria amar, queria-a possuir, escondê-la do mundo. Tê-la só para si e vê-la ali com aquele homem patético deixava-o louco de raiva. Tinha que o afastar de Laura a todo o custo.
Laura e Justino caminhavam lado a lado… Sorrindo com cumplicidade, alheios ao olhar gélido daquele homem com coração de pedra, incapaz de amar. Afonso era um homem amargo… Doente… Consumido pela sua raiva. Laura era linda demais para estar solta. A sua beleza era perigosa. Tinha que ser guardada para que mais ninguém a contemplasse… E era isso que ia fazer… Escondê-la…
Tudo é Possivel (1º cap - A primeira abordagem)
Estava uma manhã chuvosa como esta que hoje se apresenta.
Ele estava num canto, tentando abrigar-se da chuva miúda mas fria que caia dos céus acariciando a sua pele.
Olhando pela janela, ele via-a vestir-se, vagarosamente como se tivesse todo o tempo do mundo e a vida não passasse por ela.
Ela nem fazia ideia que era observada. Cada gesto tão sofregamente tragado por este homem de olhos negros.
Vestia apenas a sua camisola de caxemira. Estava chuva mas ela sentia-se quente por qualquer razão desconhecida.
Olhou para a rua. Pareceu-lhe ver uma sombra num canto. Um homem. Mas não tinha a certeza.
Veste as meias de Lycra nas suas pernas alvas e macias enquanto faz os exercícios de voz matinais. Hoje sente-se particularmente bela.
Na rua ele sustém a respiração. Que pernas magnificas! Que vontade de toca-las. Sentir aquela suavidade que imagina que elas possuem. Sente-se cada vez mais quente. Como é possível que aquela mulher que ele nem conhece tenha tal efeito em si?
Era tão linda... Aquele cabelo ruivo e olhos verdes faziam surgir suspiros de todos os homens por quem passava.
Ele só pensava que tinha que a ter! Ia, todas as noites, ao bar onde ela cantava. E só pensava em beijar aqueles lábios carnudos.
A sua voz era como veludo numa pele nua. Fazia-o sonhar com um amor que, ele próprio achava impossível.
Mas gostava de sonhar. Ao menos nos seus sonhos ele era feliz.
Nos seus sonhos... Ela era sua. Só sua.
Todas as noites voltava sozinho para casa e todas essas noites chorava na sua cama chamando pelo nome dela: Laura…
Sonhava com ela chamando por ele, dizendo que o amava e que queria ser sua para sempre! Era o que ele mais queria! Mas não tinha coragem de se aproximar dela. Tinha medo de afugentá-la.
Não era rico nem fluente em mais línguas do que as que conhecia como as pessoas que estão em redor dela. É uma estrela! Uma cantora de sucesso.
Ele é apenas um contabilista entre tantos outros num cubículo de um escritório lotado. A única coisa que era especialmente bom era com os números. Eles não se importavam com o fato puído que ele usava para trabalhar (o único bom que possuía), nem se importavam se comia com as mãos quando estava apressado nem tão pouco se importavam com as piadas secas que dizia quando estava nervoso.
Ali era o rei. Ali sozinho com os seus números era dono e senhor da sabedoria. Era o melhor do seu ramo mas não tinha coragem de o mostrar. Tinha medo da responsabilidade mas, principalmente, tinha medo de chegar ao topo e esquecer-se de quem era. Uma pessoa humilde… Por isso deixava-se ficar ali no seu cubículo. Rodeado de postais de lugares que nunca esteve. Alegadamente escritos por amigos que não tem, admirando a foto da mulher que nunca será sua.
O seu canto de escritório era um grito inaudível de ajuda. Um altar à vida que gostaria de ter. O único elemento do seu micro-cubículo que mostrava realmente o que era a sua vida era uma planta num vaso partido que, um dia, esteve viva, e cujas folhas jazem por cima do auscultador do telefone que raramente toca. Olhou para ela e suspirou desanimado. Esquecera-se de a regar. Se nem consegue manter uma simples planta viva como é que ele espera que ela o ame? Que raio vida! Pega no vaso e atira-o para o lixo assustando o seu colega do lado que resmungou algo que ele nem se deu ao trabalho de tentar entender… Só entendeu “Ohh pah Justino...”.
Desde que a conhece que só pensa nela. Todos os minutos que tem… A cada segundo… Tudo na vida dele revolve à volta dela. Ela é o Sol e ele é o Planeta Terra. Ele vive por ela. Respira por ela. Os seus horários são dispostos de tal modo a poder estar com ela a cada concerto, seja onde for. Mesmo sabendo que ela nem sabe que ele a vê.
Nessa noite, Justino veste-se para sair como já é a sua rotina. E dirige-se ao “Moonlight” onde Laura vai actuar. Já sabe todas as letras e cada música que ela canta. É o seu ritual. E não o dispensa por nada deste mundo.
Aquela noite era uma noite como todas as outras. Justino sentava-se na mesa mais perto do palco que conseguia. Tal como das outras noites, ela entra em palco com um vestido maravilhoso que realça todas as suas curvas maravilhosas. E tal como todas as noites, ela passeia os olhos pelo público tentando envolve-los na música enquanto toca. Justino já sentiu o olhar dela em si. Mas sabe que ela não o viu. Apenas olhou para ele como olha para qualquer outro fã.
Mas aquela noite foi diferente.
Ao passar os olhos por mais um fã, Laura não consegue desviar o olhar. ‘Que olhos negros tão tristes’ Pensa ela enquanto canta. Sentiu no olhar dele algo diferente. Algo lhe disse que ele não estava ali apenas pela sua música.
Sente os olhos dele seguindo-a por onde vá. Cada movimento. E sente-se desejada.
Claro que já teve muitos admiradores. Muitos fãs que se diziam apaixonados por si, pela sua beleza. Mas, não sabia porquê, aqueles olhos a cativaram e olhou de novo para ele. Bem no fundo da sua alma. E viu-o estremecer.
Justino nem queria acreditar na forma como Laura olhava para ele. Parecia que estava mesmo a olhar para ELE e não para mais um fã. Sentiu-se levantar voo. Pairar por cima do seu corpo e beija-la ardentemente sem mais a largar na vida. Estremeceu.
Quando acabou a actuação, Laura foi para os bastidores e ele dirigiu-se ao bar para tomar uma bebida bem forte para se acalmar. Ainda sentia-se zonzo pelo olhar intenso daqueles olhos de esmeralda.
Ouve um burburinho atrás de si. Não liga. Estava extasiado. Pensava que nada poderia superar o que havia vivido há uns momentos atrás. Como estava enganado.
É então que ouve uma voz tão familiar que quase a julga sua:
- O que é que uma rapariga tem que fazer para arranjar uma bebida por aqui?
Quando ele se volta as suas pernas tremeram. Era Laura. Estava mesmo a olhar para ele! Ele nem conseguiu falar.
- O senhor fala ou é mudo?
- Sim… Quer dizer… Não…
Ela riu-se divertida. Os dentes pareceram mais brancos… Os olhos mais verdes…
- Decida-se lá. Mudo já vi que não é. Sempre me oferece uma bebida?
- C… Claro que s… sim.
Ela estava a adorar a maneira dele ser. Tão tímido. Pediu um martini e ele bebeu o mesmo.
- Então? Vai dizer-me o seu nome ou terei que adivinhar?
Ele engoliu em seco. Não podia acreditar que ela estava mesmo a querer conhecê-lo. A ele! Tentou fingir não a conhecer. Era ainda mais bela ao natural. Sem maquilhagem e com roupa casual.
- Eu sou o Justino e a menina?
Ela riu-se com vontade. Estavam perto de um enorme cartaz com a foto dela e o nome.
- De certeza que não sabe o meu nome? Vi-o cantar todas as músicas…
Ele corou pela raiz. Não tinha noção que tinha cantado as músicas. Que vergonha. Tentou fazer uma piada.
- Ahhh era a menina? Desculpe. Não tinha reparado. Canta muito bem.
- Sim era eu.
E sorriu.
Naquele momento, Justino sentiu-se o homem mais feliz do mundo. A mulher que mais amava estava ali a seu lado a sorrir para ele. Era uma mulher comum. Não uma estrela famosa.
Trocaram números de telefone.
No dia seguinte foi Laura que ligou a Justino. Sabia que ele não ia ter coragem de ligar. Combinaram encontrar-se já num cafezito perto da casa de Laura.
Justino chegou quase uma hora antes do que havia sido combinado. Não cabia em si de contentamento. Ia encontrar-se com a mulher dos seus sonhos. Ainda não acreditava.
Dez minutos depois olha distraído para a porta do café e teve uma visão do céu. Laura tinha acabado de entrar e olhava para ele com um sorriso genuíno.
Estava vestida de forma tão simples mas estava mais bonita que nunca. Uma saia pelo joelho com umas botas de cano alto torneavam bem as suas pernas esbeltas. Tinha uma camisola de caxemira rosa claro (que Justino sabia que eram as suas peças favoritas) que lhe ficava particularmente bem. Aliás, ficava bem com tudo. Ele olhou-se ao espelho e sentiu-se desajeitado com um pulôver azul-escuro de bico, uma t-shirt branca e umas calças de ganga.
O encontro correu na perfeição. Melhor do que estavam à espera. Tornaram-se inseparáveis!
Durante dois meses Justino e Laura saiam juntos depois das actuações dela. Sentiam-se bem um pelo outro. Não eram a cantora famosa e o contabilista desajeitado. Eram duas pessoas simples.
Uma noite, Laura pediu a Justino que subisse para o apartamento dela. Ele nem sabia o que dizer. Sentia-se indigno da presença dela. Ela era uma deusa que ele tinha medo de corromper. Mas antes que os seus pensamentos se transformassem em palavras ela agarrou na mão dele e transpôs a porta do prédio.
Justino sentia-se a tremer. Estava nervoso. E ela parecia tão calma. Tão segura de si. Que medo tinha ele de a desiludir! Como se ela ouvisse o pensamento dele sussurrou-lhe ao ouvido:
- Está tudo bem Justino. Eu quero-te comigo. Eu sou apaixonada por ti e sei que tu também o és por mim.
Entraram no apartamento dela. Era tudo o que ele esperava que fosse.
Num canto da sala tinha fotos suas com outras celebridades, fotos nas actuações, enfim, uma lembrança do que fazia na vida, mas era apenas isso que denunciava a sua fama. Tudo o resto era simples e de bom gosto como a mulher que ali habitava.
Tinha um sofá branco no centro da sala. Enorme e confortável. Em frente deste tinha uma televisão normal, como ele próprio possuía. Uma secretária onde Laura escrevia algumas das letras que tão bem cantava. À esquerda havia uma imensa prateleira cheia dos mais variados livros de todos os temas e autores possíveis. Justino sorriu. Ele também gostava de ler. Laura disse que ia mudar de roupa porque tinha calor. Nervoso e sem saber o que fazer, agarrou num livro por acaso e começou a ver as imagens. Ficou completamente corado quando viu que tinha pegado num livro cujo título era “Pontos de Prazer: Quais são, Onde e Como Encontrá-los”. Laura entrou de repente e ele ficou sem saber o que dizer:
- Anh… Desculpa… Agarrei um livro… Não sabia… Desculpa.
Ela riu alto.
- Não te preocupes querido. Foi uma prenda maluca que uma amiga minha me deu no meu aniversário. Se o deitasse fora ela matava-me. Por isso deixo-o ai.
E continuou.
- Estava esperando por ti no quarto. Porque não entraste?
Ele corou novamente.
Agarra-o na mão e leva-o lentamente para o quarto. O coração de Justino parece querer sair-lhe pela boca. Ele engole-o de novo e segue-a.
O quarto era da mesma simplicidade da sala mas ele nem repara. Ela tinha acabado de tirar o roupão e estava diante dele apenas em lingerie cor-de-rosa claro. Ele sentiu o ar fugir-lhe dos pulmões. As pernas já não aguentavam o peso do seu corpo. E sentiu algo crescer violentamente dentro das calças. Aquela mulher deixava-o louco.
Justino sentiu toda a timidez desaparecer. Só pensava agora como será bom sentir-se dentro daquela mulher maravilhosa.
Chegou perto dela… Passeou a ponta dos dedos na sua pele alva. Tão suave que era. E como cheirava bem! Só a queria possuir! Mas não queria estragar o momento…
Deitou-a suavemente na cama. Tirou toda a sua roupa com a excepção das cuecas. Laura olhou para ele e sorriu. Com agilidade ela levanta-se e tira a peça que separava Justino da nudez completa. E fez o mesmo.
Estavam agora como vieram ao mundo. Contemplando o corpo um do outro.
Foi Justino que deu o primeiro passo.
Aproximou-se de Laura e começou a beija-la como se o mundo acabasse no segundo seguinte. Meu Deus como amava aquela mulher! Era capaz de morrer por ela.
Deitou-a novamente na cama e deitou-se em cima dela. Começou a beijar os seus lábios, o pescoço… E sempre a descer. Quando chegou aos seios não queria acreditar que pudesse existir mulher tão perfeita. Tão bela. Passou a língua nos mamilos até estes ficarem duros como rochas. Ela gemia de prazer.
Lambeu a barriga… E continuou a descer até lhe chegar ao ventre. Bebeu do líquido dela até ela gritar de emoção. Ela agarrou-o e virou-se na cama ficando por cima dele.
Fez-lhe tudo o que lhe tinha sido feito. Beijou-o na barriga… E quando olhou para baixo notou que ele estava completamente excitado e a adorar cada segundo.
Sentou-se em cima dele deixando-o penetra-la o mais fundo que podia e gemeu alto de prazer.
Nunca antes se tinha sentido tão amada e desejada.
Fizeram amor até não poder mais.
Ela mexia-se em cima dele de tal forma que ele se sentia louco de prazer. Era tão bom senti-lo bem lá no fundo. Tão quente… Tão húmida… Que bom!
A partir desse momento Justino jurou que jamais havia de se separar na sua Laura.
Ele estava num canto, tentando abrigar-se da chuva miúda mas fria que caia dos céus acariciando a sua pele.
Olhando pela janela, ele via-a vestir-se, vagarosamente como se tivesse todo o tempo do mundo e a vida não passasse por ela.
Ela nem fazia ideia que era observada. Cada gesto tão sofregamente tragado por este homem de olhos negros.
Vestia apenas a sua camisola de caxemira. Estava chuva mas ela sentia-se quente por qualquer razão desconhecida.
Olhou para a rua. Pareceu-lhe ver uma sombra num canto. Um homem. Mas não tinha a certeza.
Veste as meias de Lycra nas suas pernas alvas e macias enquanto faz os exercícios de voz matinais. Hoje sente-se particularmente bela.
Na rua ele sustém a respiração. Que pernas magnificas! Que vontade de toca-las. Sentir aquela suavidade que imagina que elas possuem. Sente-se cada vez mais quente. Como é possível que aquela mulher que ele nem conhece tenha tal efeito em si?
Era tão linda... Aquele cabelo ruivo e olhos verdes faziam surgir suspiros de todos os homens por quem passava.
Ele só pensava que tinha que a ter! Ia, todas as noites, ao bar onde ela cantava. E só pensava em beijar aqueles lábios carnudos.
A sua voz era como veludo numa pele nua. Fazia-o sonhar com um amor que, ele próprio achava impossível.
Mas gostava de sonhar. Ao menos nos seus sonhos ele era feliz.
Nos seus sonhos... Ela era sua. Só sua.
Todas as noites voltava sozinho para casa e todas essas noites chorava na sua cama chamando pelo nome dela: Laura…
Sonhava com ela chamando por ele, dizendo que o amava e que queria ser sua para sempre! Era o que ele mais queria! Mas não tinha coragem de se aproximar dela. Tinha medo de afugentá-la.
Não era rico nem fluente em mais línguas do que as que conhecia como as pessoas que estão em redor dela. É uma estrela! Uma cantora de sucesso.
Ele é apenas um contabilista entre tantos outros num cubículo de um escritório lotado. A única coisa que era especialmente bom era com os números. Eles não se importavam com o fato puído que ele usava para trabalhar (o único bom que possuía), nem se importavam se comia com as mãos quando estava apressado nem tão pouco se importavam com as piadas secas que dizia quando estava nervoso.
Ali era o rei. Ali sozinho com os seus números era dono e senhor da sabedoria. Era o melhor do seu ramo mas não tinha coragem de o mostrar. Tinha medo da responsabilidade mas, principalmente, tinha medo de chegar ao topo e esquecer-se de quem era. Uma pessoa humilde… Por isso deixava-se ficar ali no seu cubículo. Rodeado de postais de lugares que nunca esteve. Alegadamente escritos por amigos que não tem, admirando a foto da mulher que nunca será sua.
O seu canto de escritório era um grito inaudível de ajuda. Um altar à vida que gostaria de ter. O único elemento do seu micro-cubículo que mostrava realmente o que era a sua vida era uma planta num vaso partido que, um dia, esteve viva, e cujas folhas jazem por cima do auscultador do telefone que raramente toca. Olhou para ela e suspirou desanimado. Esquecera-se de a regar. Se nem consegue manter uma simples planta viva como é que ele espera que ela o ame? Que raio vida! Pega no vaso e atira-o para o lixo assustando o seu colega do lado que resmungou algo que ele nem se deu ao trabalho de tentar entender… Só entendeu “Ohh pah Justino...”.
Desde que a conhece que só pensa nela. Todos os minutos que tem… A cada segundo… Tudo na vida dele revolve à volta dela. Ela é o Sol e ele é o Planeta Terra. Ele vive por ela. Respira por ela. Os seus horários são dispostos de tal modo a poder estar com ela a cada concerto, seja onde for. Mesmo sabendo que ela nem sabe que ele a vê.
Nessa noite, Justino veste-se para sair como já é a sua rotina. E dirige-se ao “Moonlight” onde Laura vai actuar. Já sabe todas as letras e cada música que ela canta. É o seu ritual. E não o dispensa por nada deste mundo.
Aquela noite era uma noite como todas as outras. Justino sentava-se na mesa mais perto do palco que conseguia. Tal como das outras noites, ela entra em palco com um vestido maravilhoso que realça todas as suas curvas maravilhosas. E tal como todas as noites, ela passeia os olhos pelo público tentando envolve-los na música enquanto toca. Justino já sentiu o olhar dela em si. Mas sabe que ela não o viu. Apenas olhou para ele como olha para qualquer outro fã.
Mas aquela noite foi diferente.
Ao passar os olhos por mais um fã, Laura não consegue desviar o olhar. ‘Que olhos negros tão tristes’ Pensa ela enquanto canta. Sentiu no olhar dele algo diferente. Algo lhe disse que ele não estava ali apenas pela sua música.
Sente os olhos dele seguindo-a por onde vá. Cada movimento. E sente-se desejada.
Claro que já teve muitos admiradores. Muitos fãs que se diziam apaixonados por si, pela sua beleza. Mas, não sabia porquê, aqueles olhos a cativaram e olhou de novo para ele. Bem no fundo da sua alma. E viu-o estremecer.
Justino nem queria acreditar na forma como Laura olhava para ele. Parecia que estava mesmo a olhar para ELE e não para mais um fã. Sentiu-se levantar voo. Pairar por cima do seu corpo e beija-la ardentemente sem mais a largar na vida. Estremeceu.
Quando acabou a actuação, Laura foi para os bastidores e ele dirigiu-se ao bar para tomar uma bebida bem forte para se acalmar. Ainda sentia-se zonzo pelo olhar intenso daqueles olhos de esmeralda.
Ouve um burburinho atrás de si. Não liga. Estava extasiado. Pensava que nada poderia superar o que havia vivido há uns momentos atrás. Como estava enganado.
É então que ouve uma voz tão familiar que quase a julga sua:
- O que é que uma rapariga tem que fazer para arranjar uma bebida por aqui?
Quando ele se volta as suas pernas tremeram. Era Laura. Estava mesmo a olhar para ele! Ele nem conseguiu falar.
- O senhor fala ou é mudo?
- Sim… Quer dizer… Não…
Ela riu-se divertida. Os dentes pareceram mais brancos… Os olhos mais verdes…
- Decida-se lá. Mudo já vi que não é. Sempre me oferece uma bebida?
- C… Claro que s… sim.
Ela estava a adorar a maneira dele ser. Tão tímido. Pediu um martini e ele bebeu o mesmo.
- Então? Vai dizer-me o seu nome ou terei que adivinhar?
Ele engoliu em seco. Não podia acreditar que ela estava mesmo a querer conhecê-lo. A ele! Tentou fingir não a conhecer. Era ainda mais bela ao natural. Sem maquilhagem e com roupa casual.
- Eu sou o Justino e a menina?
Ela riu-se com vontade. Estavam perto de um enorme cartaz com a foto dela e o nome.
- De certeza que não sabe o meu nome? Vi-o cantar todas as músicas…
Ele corou pela raiz. Não tinha noção que tinha cantado as músicas. Que vergonha. Tentou fazer uma piada.
- Ahhh era a menina? Desculpe. Não tinha reparado. Canta muito bem.
- Sim era eu.
E sorriu.
Naquele momento, Justino sentiu-se o homem mais feliz do mundo. A mulher que mais amava estava ali a seu lado a sorrir para ele. Era uma mulher comum. Não uma estrela famosa.
Trocaram números de telefone.
No dia seguinte foi Laura que ligou a Justino. Sabia que ele não ia ter coragem de ligar. Combinaram encontrar-se já num cafezito perto da casa de Laura.
Justino chegou quase uma hora antes do que havia sido combinado. Não cabia em si de contentamento. Ia encontrar-se com a mulher dos seus sonhos. Ainda não acreditava.
Dez minutos depois olha distraído para a porta do café e teve uma visão do céu. Laura tinha acabado de entrar e olhava para ele com um sorriso genuíno.
Estava vestida de forma tão simples mas estava mais bonita que nunca. Uma saia pelo joelho com umas botas de cano alto torneavam bem as suas pernas esbeltas. Tinha uma camisola de caxemira rosa claro (que Justino sabia que eram as suas peças favoritas) que lhe ficava particularmente bem. Aliás, ficava bem com tudo. Ele olhou-se ao espelho e sentiu-se desajeitado com um pulôver azul-escuro de bico, uma t-shirt branca e umas calças de ganga.
O encontro correu na perfeição. Melhor do que estavam à espera. Tornaram-se inseparáveis!
Durante dois meses Justino e Laura saiam juntos depois das actuações dela. Sentiam-se bem um pelo outro. Não eram a cantora famosa e o contabilista desajeitado. Eram duas pessoas simples.
Uma noite, Laura pediu a Justino que subisse para o apartamento dela. Ele nem sabia o que dizer. Sentia-se indigno da presença dela. Ela era uma deusa que ele tinha medo de corromper. Mas antes que os seus pensamentos se transformassem em palavras ela agarrou na mão dele e transpôs a porta do prédio.
Justino sentia-se a tremer. Estava nervoso. E ela parecia tão calma. Tão segura de si. Que medo tinha ele de a desiludir! Como se ela ouvisse o pensamento dele sussurrou-lhe ao ouvido:
- Está tudo bem Justino. Eu quero-te comigo. Eu sou apaixonada por ti e sei que tu também o és por mim.
Entraram no apartamento dela. Era tudo o que ele esperava que fosse.
Num canto da sala tinha fotos suas com outras celebridades, fotos nas actuações, enfim, uma lembrança do que fazia na vida, mas era apenas isso que denunciava a sua fama. Tudo o resto era simples e de bom gosto como a mulher que ali habitava.
Tinha um sofá branco no centro da sala. Enorme e confortável. Em frente deste tinha uma televisão normal, como ele próprio possuía. Uma secretária onde Laura escrevia algumas das letras que tão bem cantava. À esquerda havia uma imensa prateleira cheia dos mais variados livros de todos os temas e autores possíveis. Justino sorriu. Ele também gostava de ler. Laura disse que ia mudar de roupa porque tinha calor. Nervoso e sem saber o que fazer, agarrou num livro por acaso e começou a ver as imagens. Ficou completamente corado quando viu que tinha pegado num livro cujo título era “Pontos de Prazer: Quais são, Onde e Como Encontrá-los”. Laura entrou de repente e ele ficou sem saber o que dizer:
- Anh… Desculpa… Agarrei um livro… Não sabia… Desculpa.
Ela riu alto.
- Não te preocupes querido. Foi uma prenda maluca que uma amiga minha me deu no meu aniversário. Se o deitasse fora ela matava-me. Por isso deixo-o ai.
E continuou.
- Estava esperando por ti no quarto. Porque não entraste?
Ele corou novamente.
Agarra-o na mão e leva-o lentamente para o quarto. O coração de Justino parece querer sair-lhe pela boca. Ele engole-o de novo e segue-a.
O quarto era da mesma simplicidade da sala mas ele nem repara. Ela tinha acabado de tirar o roupão e estava diante dele apenas em lingerie cor-de-rosa claro. Ele sentiu o ar fugir-lhe dos pulmões. As pernas já não aguentavam o peso do seu corpo. E sentiu algo crescer violentamente dentro das calças. Aquela mulher deixava-o louco.
Justino sentiu toda a timidez desaparecer. Só pensava agora como será bom sentir-se dentro daquela mulher maravilhosa.
Chegou perto dela… Passeou a ponta dos dedos na sua pele alva. Tão suave que era. E como cheirava bem! Só a queria possuir! Mas não queria estragar o momento…
Deitou-a suavemente na cama. Tirou toda a sua roupa com a excepção das cuecas. Laura olhou para ele e sorriu. Com agilidade ela levanta-se e tira a peça que separava Justino da nudez completa. E fez o mesmo.
Estavam agora como vieram ao mundo. Contemplando o corpo um do outro.
Foi Justino que deu o primeiro passo.
Aproximou-se de Laura e começou a beija-la como se o mundo acabasse no segundo seguinte. Meu Deus como amava aquela mulher! Era capaz de morrer por ela.
Deitou-a novamente na cama e deitou-se em cima dela. Começou a beijar os seus lábios, o pescoço… E sempre a descer. Quando chegou aos seios não queria acreditar que pudesse existir mulher tão perfeita. Tão bela. Passou a língua nos mamilos até estes ficarem duros como rochas. Ela gemia de prazer.
Lambeu a barriga… E continuou a descer até lhe chegar ao ventre. Bebeu do líquido dela até ela gritar de emoção. Ela agarrou-o e virou-se na cama ficando por cima dele.
Fez-lhe tudo o que lhe tinha sido feito. Beijou-o na barriga… E quando olhou para baixo notou que ele estava completamente excitado e a adorar cada segundo.
Sentou-se em cima dele deixando-o penetra-la o mais fundo que podia e gemeu alto de prazer.
Nunca antes se tinha sentido tão amada e desejada.
Fizeram amor até não poder mais.
Ela mexia-se em cima dele de tal forma que ele se sentia louco de prazer. Era tão bom senti-lo bem lá no fundo. Tão quente… Tão húmida… Que bom!
A partir desse momento Justino jurou que jamais havia de se separar na sua Laura.
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